
Estas eleições serão disputadas no meio do turbilhão da
crise, com diminuição acentuada do rendimento disponível de famílias,
empresas e instituições. A escassez de
recursos será um constrangimento para os mandatos autárquicos e obrigará à renovação
da própria função autárquica.
Se durante décadas o desejo dos autarcas foi fazer e deixar
obra, para o mandato que se avizinha o desafio será mais complexo e menos
quantificável em obras de betão. As rotundas, as estradas e os estádios terão
de dar lugar a uma actuação de parceria com empresários, associações e
comunidades.
A falta de recursos não pode servir de desculpa para uma actuação
menos conseguida, muito pelo contrário. Com os efeitos da crise, exige-se que
as instituições façam mais com menos. A dinamização do tecido económico
existente e o apoio à instalação de novas empresas deve ser um dos principais
objectivos políticos. Em localidades onde existem zonas industriais e
comerciais em déficit de ocupação, será também a oportunidade para revitalizar
os investimentos já feitos e aproveitar as mais valias da existência de redes
comerciais e empresariais.
Mas também será necessário fazer mais com menos na relação
com os eleitores, através da diminuição da burocracia e da aposta na eficiência
dos serviços públicos.
A existência, durante vários anos, de programas eleitorais
partidários tão desfasados das actuações politico-governativas tem afastado os
cidadãos da politica. Mas nesta fase em que ninguém está alheio das
dificuldades financeiras assumo a minha expectativa em ler os programas
eleitorais autárquicos dos diversos partidos e verificar a criatividade e
capacidade das várias candidaturas para resolverem os problemas de sempre com
menos recursos mas com mais exigências!
O poder autárquico não só tem de se reinventar como deve ser
o exemplo de uma actuação politica mais credível e eficiente.
Nuno Vaz da Silva
Economista
artigo publicado na edição de 27/03/2013 do jornal "Alto Alentejo"
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